
ainda saudade...
Eu acordava todo dia, às 6:25, para pegar o ônibus Vila Velha em direção ao Colégio Sagrado Coração de Jesus.
Não era chato...era a melhor parte do dia saber que eu encontraria as amigas mais loucas e queridas do mundo. O colégio era só de meninas, colégio de freiras.
Por fora, uma construção tradicional, pintada com um bege sério que lembrava a época em que os alunos tinham que se ajoelhar no milho quando faziam alguma peripécia.
Por dentro, corredores compridos, piso de taco (algumas peças estavam soltas e nos faziam tropeçar), paredes com azulejo verde-calcinha.
Como pode um lugar tão melancólico ter sido o cenário das melhores delícias da adolescência?
Em uma manhã era possível chorar, brigar, gargalhar, fazer as pazes, se esconder das irmãs disciplinadoras, aprender coisas úteis pra vida toda e até coisas inúteis, também pra vida toda...rsrs
O melhor eram os papos sobre virgindade (ou a perda dela) nas horas mais impróprias.
Já assistiu Mudança de Hábito? Freiras maluquinhas fazendo coisas maluquinhas... Woopy Goldberg não teria a luz dos holofotes perto das freiras que comandavam nossa escola. Ao mesmo tempo em que eram suficientemente megeras pra verificar se as cores de nossas meias estavam de acordo com a cor do uniforme, também eram potencialmente malucas pra contratar um segurança de 20 e poucos anos, aspirante a modelo, com lindo olhos claros.
Irmã Giselda, diz a lenda que tinha mais de 200 anos. Ninguém sabia ao certo se ela era de carne e osso ou se era o seu fantasma que dava bronca e gelava nossa alma.
De panelinhas rivais, viramos, no final do M4, uma grande família que fez parte da formação da personalidade de cada aluna.
Queríamos ir pra faculdade de uma vez por todas, pra não ter que usar nunca mais o tal do uniforme cinza.
Na minha primeira manhã de universidade eu não sabia que roupa colocar. Meu uniforme cinza ainda estava no guarda-roupa... e naquela manhã eu daria tudo pra vesti-lo novamente e poder reviver os melhores 4 anos da minha vida.
2 comentários:
Ah Carol que saudades deste M4...
Com certeza foram os anos mais divertidos da minha vida...
Beijus e abraços
Camila
Os problemas eram de outra ordem, não tinham essa cara de "Gente Grande" de agora. Bem que a vida podia continuar assim né? Os maiores problemas seriam: buscar o avental que foi esquecido em casa pra poder ir ao estágio, decidir as músicas para um teatro, trocar de professor no meio do ano, fazer as pazes depois de brigar por uma boabagem, manter a elegância depois de despencar da carteira e ainda ter uma amiga gritando enquanto caía e é claro, se livrar das malditas espinhas...
bjks Flower
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